PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO DE TOXICOLOGIA
DIAGNÓSTICO DE INTOXICAÇÃO POR CHUMBO NO CABELO
José Valdaí de Souza
Trabalho de Conclusão do Curso de Pós
Graduação apresentado a Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do
Sul, como parte das exigências do Curso
de pós Graduação para obtenção do titulo
De Especialista em Toxicologia.
Orientador: Profa. Dra. Vera Maria Ferrão Vargas
Porto Alegre – 2011
Agradecimentos:
A Deus por me dar oportunidade de continuar buscando na nascente da ciência mais informações para poder ajudar ao próximo,
A Meus professores que me estenderam a mão e abriram seus cérebros para que eu pudesse aprender mais,
A minha Orientadora, por concordar em gastar um pouco de seu tempo me ajudando nesse trabalho,
A PUCRS por continuar com o propósito de ensinar e se atualizar nesse dinâmico mundo da ciência,
Aos meus colegas pela troca de informações e a essência da amizade, o grande pilar da construção de uma sociedade,
A minha família por me incentivar para que eu possa estar, constantemente na busca do conhecimento e atualização,
As minhas secretárias, Josiane e Juliana, que foram incansável na busca dos dados, rompendo os arquivos, para disponibilizar essa nova ferramenta de pesquisa a sociedade,
Aos que aproveitarem esse trabalho como um novo método de pesquisa, fácil e de grande utilidade no mundo da ciência.
Diagnóstico de Intoxicação por Chumbo no Cabelo
Sinopse
Os metais pesados são conhecidos desde tempos muito remotos da história do homem. Entretanto somente nos últimos anos, a ciência descobriu métodos capazes de analisar as fontes de excreções do ser humano para o diagnóstico desses elementos tóxicos e correlacionar com patologias causadas pelos mesmos. Entre esses métodos usados, vem se destacando o cabelo, que embora tenha gerado controvérsias quanto a sua especificidade e sensibilidade, foi aprovado pelo ATSDR (agency for toxic substances and diseases registry) por ser de fácil manejo, econômico e uma via de excreção mais lenta e capaz de detectar intoxicações crônicas onde a ciência não dispõe de outro método melhor e mais eficaz. Tanto se podem avaliar metais pesados como drogas de abuso. Nesse trabalho, foram analisadas 2.288 amostras de cabelos, durante 24 anos, em nosso serviço privado, com pacientes sem história definida de intoxicações. O objetivo foi mostrar quanto é freqüente a intoxicação por chumbo (Pb), em pessoas que não tem uma história pregressa de contato com esse metal. Embora tenham sintomatologias como: déficit de atenção, hipertensão arterial, doenças neurológicas, câncer, dores articulares, déficit imunológico, alergias, Alzheimer, Parkinson e envelhecimento precoce. Essas patologias, sem causa bem definidas, foram as razões pela qual nós pesquisamos metais pesado no cabelo desses pacientes. Nesse trabalho direcionamos, somente para Pb e analisamos as amostras por idade, sexo e percentual de pessoas normais e com chumbo elevado. O resultado mostrou um percentual de 58,61 % da amostra com chumbo elevado. Isto é um indicativo de que o método é útil, justifica sua aplicação e chama atenção para que os médicos utilizem mais esse tipo de análise, visando descobrir a verdadeira causa de muitas patologias. As pessoas intoxicadas que fizeram uso de quelantes específicos para o (Pb), tiveram redução do nível de metal e modificação das patologias, comprovando que estavam intoxicados.
Palavras Chaves: Intoxicação Humana, estatísticas populacionais.
Diagnosis of Lead Poisoning in Hair
Synopsis
Heavy metals have been known since ancient times in human history. But only in recent years, science has discovered methods to analyze the sources of human excretion for the diagnosis of these toxic elements and correlate with diseases caused by it. The mechanisms used, the hair has been highlighted that although it generated controversy about its specificity and sensitivity, was approved by the ATSDR (Agency for Toxic Substances and Disease Registry) to be easy to handle, economical and a slower route of excretion and able to detect chronic poisoning where science has no other method better and more effective. Many heavy metals can be evaluated as drugs of abuse. In this study analyzed 2,288 samples of hair for 24 years, our service provider with patients without definite history of poisoning. The goal is to show how much we frequently lead poisoning (Pb) in people who do not have a history of contact with the metal. Although related symptoms such as attention deficit disorder, hypertension, neurological diseases, cancer, join pain, impaired immune systems, allergies, Alzheimer´s, Parkinson´s and premature aging. These pathologies, without apparent cause, were the reason why we researched heavy metals in the hair of these patients. In this work, directed it, only for Pb and analyze the samples by age, sex and percentage of people lead normal and high. The result showed a percentage of 58.61% of the sample with high lead. This is an indication that the method is useful and justifies its application and calls attention to physicians to use that kind of analysis aimed at discovering the true cause of many diseases. Intoxicated people who used specific chelators for (Pb) had reduced level of metal and modification of conditions, proving that they were intoxicated.
Keywords: Human Poisoning, population statistics.
Histórico
O Chumbo (Pb) é um metal conhecido desde 6500 Antes de Cristo, sendo que as primeiras minas foram descobertas em Anatolia (Ásia Menor), hoje Turquia. O Pb foi um dos primeiros metais a ser derretido e utilizado pelo homem1. No século II, o botânico grego Nicander descreveu a cólica e paralisia como sendo intoxicações por Pb. O Pb foi usado extensivamente, pelos romanos na construção dos aquedutos. O açúcar de Pb (acetato de Pb II) foi usado para adoçar vinho e também muito se utilizava jarros e copos de Pb para estocar e beber vinho. Foi tão usado o Pb na época dos romanos que se atribui a queda do Império à intoxicação por chumbo! Em 1656, o alemão Samuel Stockhausen reconheceu a poeira e o fumo de Pb como contaminante e que essa exposição podia causar uma doença , denominada de morbi metallici , conhecida como aflição dos mineiros, trabalhadores com solda e outras exposições ao metal2. O famoso pintor Caravaggio, foi intoxicado por Pb, descoberto nos seus ossos, sendo que seu comportamento era violento. O compositor Beethoven, que bebia muito vinho foi intoxicado por Pb e sua análise de cabelo mostrou altos índices do metal. Foi através dessa análise que se descobriu a provável causa da morte do Presidente americano Andew Jackson´s (1767-1845), por exposição ao Chumbo e Mercúrio3. Entretanto, com a revolução industrial de século XIX o Pb começou a ser usado mais frequentemente, seus resíduos contaminaram o meio e com isso as crianças começaram a se intoxicar e desenvolver patologias neuro comportamentais. Em virtude disso, Austrália, Bélgica, França e Áustria baniram as pinturas com Pb, em 1909. Contudo nos Estados Unidos somente em 1978 é que essa conduta foi tomada 3
A análise de cabelo para metais tóxicos (metais pesados) já é conhecida desde 19292. Entretanto, somente nos últimos 30 anos é que se tornou um exame com certificação e vem a cada dia ganhando mais credibilidade no mundo científico. É um exame importante para analisar suspeitas de intoxicações crônicas por metias pesados. Existem várias discussões da probabilidade de seu uso para analisar nutrientes, embora com controvérsias, mas a experiência mostra que é um exame, quando a clínica é bem feita é de
suma importância e os resultados mostram maior precisão, quando comparados com análises de sangue e urina4. Esse exame já é solicitado em nosso serviço na Clínica Dr. José Valdaí de Souza S/C Ltda em Osório e Porto Alegre, desde 1986, com uma casuística de mais de 2288 análises. Atualmente (2008) a ATSDR (agency for toxic substances and diseases registry) reconheceu a importância dos exames do cabelo como método para diagnóstico de metais tóxicos em exposições crônicas 5.
Introdução
O cabelo é um tecido de excreção para elementos essenciais, não essenciais e potencialmente tóxicos. Por isso, pode a ser de grande aplicabilidade como método para diagnóstico, acompanhado de clinica do paciente. Embora já se conheça a importância de usar o cabelo para avaliar intoxicações por metais pesados desde 1929, somente nessas últimas décadas está sendo dada mais atenção a essa importante fonte de material para diagnóstico, principalmente em medicina forense.
Por muito tempo, esse método recebeu críticas, de cientistas como Stephen Barret (1985)4 que mandou amostras, para treze laboratórios diferentes, com técnicas diferentes obtendo resultados diferentes . Alguns erros foram considerados nesse estudo: as amostras de cabelo com 15 cm, o certo é 2,5 cm, com cabelos misturados de diferentes indivíduos, correto é individualização. Além disso, não foi observado, pelos laboratórios, o adequado preparo do cabelo antes de submeter as análises. Já Siedel et al.(2001)4 , empregou os cuidados necessários, nas coletas das amostras. Os resultados recomendam as análises de cabelo como efetivas e muito mais sensível para metais tóxicos do que para nutrientes.
Recentemente, a partir de 20014, os cuidados no preparo das amostras foram aprimorados e ocorreram mudanças nas análises. A introdução do Inductively-coupled plasma/mass spectrometry (ICP-MS) que trabalha com exemplares (amostras) liquefeitos em alta temperatura, usando íons de
argônio no plasma, para que se tenha mais afinidade aos elementos em solução. Nesse plasma (liquido) os íons se ligam com os elementos da amostra. Por isso o ICP-MS identifica os elementos das substâncias baseado na massa e quantidade, fazendo uma comparação com padrões já conhecidos, podendo detectar quantidades tão pequenas como 0,06 ppb (partes por bilhão) de chumbo no cabelo e outros elementos 4.


Este método está sendo recomendado para screening em regiões potencialmente contaminadas, em trabalhadores expostos a contaminantes, a pessoas que usam tintas, tanto no trabalho com no próprio corpo, como em tinturas de cabelo, batons, cremes cosméticos e tatuagens. Como o cabelo é sintetizado no folículo incorpora todos os elementos a suas proteínas. Uma evidência importante é que a eliminação pelo cabelo é mais lenta do que ocorre pelo sangue, urina ou outras secreções corporais 5.
Grande número de médicos e outros profissionais da saúde já utilizam o cabelo como método para avaliação de intoxicações, absorção de nutrientes ou mesmo intoxicações. Dependendo da clínica, esse é um exame que pode ser realizado anualmente ou mesmo, em casos específicos (exposição permanente em trabalhadores, pintores) até de 6/6 meses6. Deve ser dada muita atenção para as mulheres que querem engravidar, faz uma análise prévia, pois se houver contaminação, se poderia fazer retirada desses tóxicos antes da gestação. Os metais poderão passar a barreira placentária e causarem grandes danos (teratogênese e alterações genéticas nos fetos).
Ao longo dos 24 avaliando pacientes contaminados podemos constatar várias alterações em crianças, onde a contaminação, provavelemnte, veio da mãe através do cordão umbilical durante a gestação. Os exemplos mais frequentes, nas crianças são déficit de atenção e déficit motor por alumínio, chumbo e mercúrio. É nosso objetivo buscar correlação clínica com tumores, principalmente, gliomas (tumores cerebrais), e leucemias. As análises do cabelo são respostas do organismo aos seus elementos químicos; portanto, são respostas individuais e nem todos tem a mesma intensidade de resposta ou patologias. Intoxicações por mercúrio, por exemplo, podem se manifestar diferentemente em cada indivíduo e com concentrações variadas, dependendo do metabolismo de cada um e dos mecanismos de defesa. O que se conhece é que quase todos os indivíduos intoxicados geram radicais livres que são capazes de lesar o DNA (ácido desoxiribonuclêico) celular.
Com tantas vantagens na análise do cabelo se deve ter o cuidado de eliminar o máximo de interferências externas, para evitar um resultado falso. Por exemplo,mulheres ou homens que fazem tratamentos nos cabelos com soluções para fazer permanentes, colorir ou alisar podem interferir nos resultados7. Ainda, no momento da coleta se deve ter cuidado com as tesouras e embalagens. A amostragem deve ser realizada por coletador experiente, coletar 0, 25 gramas, de preferência com 2,5 cm do couro cabeludo e de vários locais da região da nuca, para se ter uma amostra mais fidedigna. O laboratório que analisa as amostras, deve ter boa qualidade e experiência nesse tipo de procedimento, pois implica em aparelhagem de extrema sofisticação e de alto custo, sendo uma tecnologia de ponta7. No presente estudo, o material foi enviado para o laboratório DoctorsData- Leste de Chicago – Ilinóis – EUA. Esse laboratório é pioneiro no mundo em análise de cabelo com mais de 30 anos de experiência.
Importância das análises de metais tóxicos no cabelo.
É recomendado preferencialmente realizar exames de metais tóxicos no cabelo quando houver suspeita de intoxicação, do que no sangue ou urina. Deve-se tentar determinar cronologicamente a data estimada da intoxicação. Isso se realiza colhendo amostras de partes (feixes de 2,5 cm) ao longo do cabelo desde a sua raiz até as pontas. Se sabe que o cabelo tem um crescimento de 1 cm por mês e assim pode-se determinar aproximadamente a data da exposição. Alguns elementos tóxicos têm uma concentração muito alta no cabelo em relação ao sangue, devido sua rápida fixação as proteínas. Por exemplo, Pb entre outros metais, têm níveis várias vezes maiores no cabelo do que no sangue. Uma exceção é no autismo, doença atribuída a intoxicação por mercúrio (Hg) (crianças vacinadas com aditivos mercuriais para conservação) em que o mercúrio (Hg) aparece baixo no cabelo7. Nas crianças com alguma alteração neuropsíquica com Hg elevado devem-se avaliar as mães e correlacionar com o uso de amalgamas ou contaminação das mesmas por outra fonte. O cabelo como amostra pode ser colhido também do púbis,
receber o mesmo tratamento do coletado na cabeça e mostrar resultados diferentes como se pode ver nas Figuras 2 e 37-8.

Figura -27 ( original em Inglês) Resultados das análises com amostras cabelo da cabeça 7
A Figura 2 mostra os resultados de cabelo colhido do escalpo, onde se pode observar uma quantidade expressiva de Pb (54 μg/g) 7.

Figura -38 Resultados de análises com cabelo pubiano
A Figura 3 (original em inglês)8 mostra resultados de cabelos colhidos na região pubiana, onde se observa que o índice de contaminação é menor parra o Pb = 4.3 μg/g8.
Priorizando entre os metais o Pb, destacamos os sintomas de intoxicação como: fadiga crônica, depressão, tremores nas extremidades (falso Parkinson), neuropatias periféricas (mão em pêndulo) e rigidez, diminuição da memória e função cognitiva, déficit de imunidade e infecções persistentes, hipersensibilidade e alergias, candidiase crônica, instabilidade emocional, autismo e alterações teratogênicas 9.
As principais fontes contaminantes de chumbo (Pb) são:Tintas a base de Pb e poeiras, poluição Industrial, equipamentos dos soldadores e fumo de soldas, água contaminada, fertilizantes, baterias , alguns vasilhames de chumbo, cerâmica e pintados com tinta a base de Pb9.
Embora o chumbo venha sendo usado pela humanidade há séculos, foram os Ingleses que deram mais valor às intoxicações e começaram a avaliar as fontes contaminantes. Entre estas, a principal fonte avaliada foi a água. Após encontrarem essa fonte de contaminação começaram a exigir melhores tratamentos e evitar a poluição dos mananciais. As tabelas 2a e 2b, relacionam as fontes de risco que foram descritas para o Pb, além de doenças e danos a saúde, por intoxicação devido a esse metal9.

Tabela – 2b Doenças e danos a saúde causada por Intoxicação por Pb9
- Grande Risco de câncer
- Degeneração cerebral, rins, fígado, sistema nervoso e audição
- Inibição de formação de células hematopoéticas
- Elevação da pressão arterial em adultos
- Aumento d a possibilidade de derrames cerebrais
- O Pb pode afetar qualquer um dos nosso sistemas e em qualquer idade
- Crianças são de maior risco devido estarem em formação
- Aumento da possibilidade de derrames cerebrais
- Anemias , cólicas e convulsões
- Problemas no desenvolvimento neurológico com alterações de comportamento
- Atenção especial as mães para não passarem Pb via placenta aos filhos
- Problemas de desenvolvimento neurológicos, com alterações de comportamento
- Desde 1988, os Estados Unidos proibiram o uso de canos d´agua com Pb
Nas tabelas 2a e 2b estão descritas as principais doenças e os danos a saúde causado pelo Pb 9
A Figura 4 mostra exemplos de exposição ao Chumbo 10e a Figura 5 exemplifica um laudo de exames realizado em indivíduo exposto9

Figura – 4 10 Exemplos de trabalhadores que estão exposto a fontes contaminates de Pb – Pinturas e soldas numa uma fábrica de Vidraçarias ( vitros) em Guaporé – Rio Grande do Sul – Brasil 10 . As fotos foram autorizadas pelos operários10
A figura 5 10 é um demonstrativo de como é fornecido o laudo da análise para ser avaliada pelo médico, que precisa ter uma boa experiência para interpretar e fazer correlação com a clínica do paciente. São avaliados vários metais em cada amostra de cabelo 10.

Figura – 5 10 Resultado da análise de cabelo feito em trabalhador-Masculino – 43 anos com Pb = 340 μg/g máximo 0,60 μg/g = Patologia hipertensão arterial e artrite10 .
Na Figura 6 estão exemplificadas patologias relacionadas a intoxicação pelo Chumbo11.

Figura – 6 = Patologias relacionadas a intoxicação pelo Chumbo 11
Exemplos de patologias relacionadas a intoxicação pelo Chubo
(a)——————————(b)——————————-(c) ——————————
Manchas nas gengivas Lesões de artrites/ Pb Lesão tibial ao Rx por Pb
Causadas pelo Pb =
Linhas de Bourton 11.
Na Figura 7 estão descritos o nível de intoxicação por Pb de crianças com déficit de atenção e demonstração de quanto maior o grau de intoxicação pior é o quadro da patologia8.

| Figura 7 8 ( Original em Inglês) Uma demonstração da intoxicação pelo chumbo em crianças, com diagnóstico de déficit de atenção. Aqui se pode observar que quanto mais intoxicada maior o grau de déficit de atenção 12 | |
Outras Fontes de Contaminação por Chumbo comprometendo a função
neuroquímica de crianças
Os pesquisadores Perera e Tang12, epidemiologistas moleculares, fizeram um trabalho com 450 crianças na província de Tonglian- China , onde haviam muitas usinas de carvão. Mediram o perímetro da cabeça das crianças recém nascidas e depois de dois anos de acompanhamento, além de avaliarem os leucócitos.
Nesse estudo, constataram que nos leucócitos dessas crianças havia biomarcadores de HPAs (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos que por ligação covalente se ligavam ao DNA molecular). Essa interferência dos HAPs alterava a epigênia molecular causando diminuição na multiplicação celular e com isso
alterações no fenótipo do indivíduo. Os estudos mostraram que esses HPAs interferem na epigenoma celular causando danos moleculares. No entanto, essas alterações no campo da epigenoma não alteram as seqüências adjacentes do DNA o que dificulta as avaliações, uma vez que não ocorrem quebras ou danos no código (DNA) e nem nos adutores. Contudo, novas pesquisas estão mostrando que outros biomarcadores fazem a metilação do DNA associado ao grupo Metil (CH3) e silencia os genes. Existem evidências de que os HPAs contribuem para essa reação. As alterações epigênicas impedem que proteínas supressoras, como o p53 (supressor de tumores) sejam formadas e assim muitas patologias podem se desenvolver.
A importância significativa dessa pesquisa é para alertar os pediatras que procurem fazer testes com biomarcadores genéticos e epigenéticos para avaliar a propensão ou mesmo doenças que crianças venham a apresentar. Procurem lembrar de possíveis intoxicações provenientes do meio ambiente que possam ter interferido na mãe e mesmo na criança 12 . Nesse caminho sugerimos, quando a patologia é de causa desconhecida avaliar metais pesados e principalmente o Pb , pois é muito frequente no meio ambiente.
Artigos da Literatura para avaliar chumbo no cabelo:
Teor de Chumbo no cabelo de crianças residente em Cubatão São Paulo (1993)
O Estudo foi realizado por um grupo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo 13, em 1993 avaliadas 251 crianças de 1 a 10 anos residentes em 6 bairros as margens dos rios principais do município de Cubatão. As amostras de cabelo, 30mg (0,30g), cortados rente ao couro cabeludo da cabeça, foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, que fez as análises usando um espectrômetro de absorção atômica sem chamas com um prévio preparo do material. Os resultados mostraram um nível de intoxicação de 2,5 µg até 71,4 µg/g, com valor médio de 7,25± 8,51μg/ Tabela- 3.
A Tabela3 mostra os resultados encontrados nas 229 análises realizadas. Embora o grupo tenha sido de 251 pessoas, somente 229 tinha chumbo na amostra e dentre essas apenas 189 apresentaram chumbo maior que 2,5 μg/g que é igual a 82 % das pessoas, sendo a maior quantidade de 71,4 μg/g 13

Teor de Chumbo no cabelo de pessoas residentes na Venezuela (2009)
Marcano e colaboradores em 200914 relatam pesquisa de Chumbo no cabelo em 23 indivíduos da região do Orinoco e 20 de Caracas na Venezuela, com idade de 16 – 58 anos. As análises foram feitas em espectrofotômetro de Massa Perkin Elmer Model ICP optima 3000. A Tabela 4 mostra os resultados

A Tabela 4 mostra que pessoas da região do Orinoco apresentavam em média 7,7 μg/g de Pb, enquanto que na cidade de Caracas 30,3μg/g,
mostrando um grau maior de intoxicação. A conclusão dos autores é de que na cidade de Caracas a contaminação por derivados da queima de combustíveis (gasolina e similares) é maior, ocasionando maior exposição ao chumbo 14.
Frente a estas considerações, o presente estudo tem como finalidade mostrar o teor de chumbo investigado em uma amostra retrospectiva de indivíduos investigados na Clínica Dr. José Valdaí de Souza durante 24 anos.
Material e Métodos
Pesquisa no arquivo da Clínica Dr. José Valdaí de Souza durante 24 anos10 .
Foi realizada uma avaliação nos arquivos da clínica Dr. José Valdaí de Souza S/C Ltda , em Osório – RS- Brasil e em Porto Alegre – RS Brasil, focalizando os pacientes que vieram a consulta pelos mais variados sintomas e sinais, sendo alguns sem sintoma nenhum, apenas queriam fazer o exame do por prevenção ou curiosidade. Contudo é preciso elucidar que nem todos os pacientes eram dessas regiões. Foram incluídos também pacientes doe outros países. A coleta foi realizada no período de 1986 até 2010, sendo que 2288 (dois mil duzentos e oitenta e oito amostras de cabelo foram cortadas da região da nuca dos indivíduos). Todos pacientes consentiram em colher o cabelo, (termo concentimento arquivado na clínica), com a finalidade de avaliar metais tóxicos, o mesmo foi enviado para análise e depois destruído.
Muitos tinham indicação ao exame por suspeita clinica de intoxicação por metais pesados por trabalharem com fontes contaminantes, usarem pinturas de cabelo, ou serem portadores de uma doença crônica que não respondia aos tratamentos convencionais. Embora, já tivessem consultado vários médicos e realizado exames laboratoriais, a causa das patologias permanecia sem esclarecimentos. Vale lembrar que todos pacientes realizaram os exames por livre e espontânea vontade e foram todos em caráter privado e encaminhados para o Laboratório Doctors Data Inc. nos Estados Unidos. Todos os cuidados na coleta das amostras foram tomados, sendo estas realizadas por somente um coletador e as amostras devidamente embaladas para evitar
contaminações externas. As amostras foram enviadas pelo correio em SEDEX e os resultados devolvidos por Email (correio eletrônico e também por correio
convencional. Os laudos descritivos impressos, conforme conduta do laboratório, estes expressam os resultados e fazem um comentário para melhor avaliação do resultado. Lembramos que todos os dados dos pacientes estão arquivados na Clínica com respectivos resultados, causa das consultas e diagnósticos presumível e exames complementares realizados, bem como orientações e tratamentos realizados 10.
Métodos
Numa análise de cabelo se pode avaliar vários elementos tóxicos, drogas de abuso, bem como elementos não tóxicos. Entretanto esse papel tem como finalidade demonstrar a presença de Chumbo em uma população da clínica, não dirigida. Também não serão descritos todos os sintomas e os tratamentos realizados para os diferentes metais como Arsênico, Cádmio, Alumínio, Níquel e quais quelantes foram usados, especificamente, para cada metal. Não serão mostrados resultados terapêuticos, mas os prontuários estão nos arquivos da Clínica.
Recentes avanços da tecnologia em análise de metais tóxicos no cabelo.
A maioria das mudanças vem dos novos sistemas de análise e da melhor informação do analisador. Os instrumentos tem se tornado mais sensíveis, precisos, específicos, acurados e estáveis. A inductively- coupled plasma/massa spectrometry (ICP_MS) é atualmente o mais indicado para essas avaliações. No entanto, muitos laboratórios ainda não o utilizam devido alto custo. O DRCII ICP_MS, trabalha por aspiração de um exemplar liquefeito em média temperatura 150 Co com íons de argônio em solução. Nesse plasma os íons são ligados com elementos da amostra. A espectrometria de massa identifica esses elementos e os quantifica em comparação a intensidade de cada um com um padrão controle 15
As amostras de cabelo são preferencialmente colhidas da região da nuca, do escalpo até 2,5 cm (1 polegada) pesando 0,25 gramas, cortadas com tesoura esterilizada e o médico usando luva descartável. As amostras são colocadas em envelope plástico, hermeticamente fechado, identificadas e enviadas para o Laboratório DoctorsData Inc. Ilinóis – USA, pelo correio. Todos pacientes foram questionados quanto ao uso de xampus ou outro produto que poderiam contribuir para contaminação, bem como sua atividade profissional ou recreativa e meio onde vive. O Laboratório selecionado faz em torno de 40.000 análises de cabelo por ano.
O procedimento analítico consta de preparação do cabelo, lavagem com ácido nítrico em alta concentração 65 %, em volume de 3 mililitros, colocado em pressão de 130 psi (9 atmosferas) há 1500C em fluxo automático em forno de microondas específico. Após é levado ao aparelho analisador. ELAN DRC II ICP_MS (Dynamic Reaction Cell) acoplado com Dynamic Bandpass Tuning and Axial Field Technology, último avanço em ICP-MS (Indutively coupled plasma-mass spectrometry). O sistema de análise garante grande seletividade, sensibilidade, incomparável desempenho, com possibilidade de avaliação de vários elementos ao mesmo tempo e alta qualidade nos resultados.Figs. 8-9 15.

Figura – 8 – Espectrômetro de Massa acoplado– DRC II ICP-MS 15

Figura – 9 Do espectrômetro de Massa acoplado =DRCII ICP-MS, ligado a um
computador para emitir a figura com os resultados 15.
Resultados
A TABELA 5 mostra as frequências das concentrações de Pb por μg/g de uma amostra de 2288 indivíduos avaliados de 1986 até 2010, correspondendo há 24 anos de acompanhamento10. A amostra foi classificada evidenciando diferenças em relação ao sexo (feminino 1296 e masculino 992 indivíduos) e faixa etária dos pacientes em relação ao nível de intoxicação. Considerando que o limite máximo é 0,6μg/g, independente da idade, foram observados indivíduos com teores acima deste limite em todas as faixas etárias com um percentual de 58,61% intoxicados. No entanto, o sexo feminino apresentou índice menor, de 49% e o masculino de 71,5% de pacientes intoxicados.

Na Tabela 5 temos a amostra das freqüências de concentração de Pb por μg/g de uma população de 2288 pessoas, considerando as diferenças em relação ao sexo e faixas etárias. O nível máximo tolerável para o indivíduo é de 0,60 μg/g de Pb. Nesse total de indivíduos encontramos o índice de intoxicação de 58,61%. Sendo do sexo feminino 49% e no sexo masculino de 71,5%. A tabela foi divida em duas para melhor entendimento dessas 2288 amostras, sendo o máximo de chumbo encontrado de 6.300μg/g, em um período de 1986 até 2010, correspondendo a 24 anos de análises10.
A partir da Tabela 5, subdividindo os dados em relação às concentrações de Pb detectadas . Figura 10de >0,60 μg/g até 100μg/g e Figura 11de >100 μg/g até 6300 μg/g, valor máximo encontrado.

Figura 1010 – Número de pacientes e Concentração média de Pb >0,6 μg/g a 100 μg/g e Nível de idade de 0 anos até 100 anos, divididos por faixas etárias. A cor rosa no gráfico indica o sexo feminino e a azul masculino.
Na Figura 10, as linhas verticais de 0 até 10 corresponde a 0 μg/g até 100 μg/g de Pb e horizontais, faixas etárias de 0 até 100 anos. Os dados da concentração média de Pb foram subdivididos por sexo e idade (de 10 em 10 anos), para indivíduos intoxicados entre >0,6μg/g até 100 μg/g Pb. A numeração no topo das colunas indica a concentração média encontrada nessas amostras. O sexo feminino apresenta índice maior na faixa de 71 – 80 anos, porém o maior número das amostras foi na faixa de 41 – 50 anos. No sexo masculino o maior índice foi na faixa de 51-60 anos e o maior número de amostras na faixa de 41-50 anos 10 .

Figura – 1110 – Número de pacientes e Faixa Média de Intoxicação para concentrações de Pb maiores do que 100 μg/g. Nível de idade de 41 anos até 100 anos.
A Figura 11 mostra o número de indivíduos analisados cujo teor de Pb ultrapassa 100 μg/g. A linha vertical corresponde a níveis de intoxicação por Pb em μg/g e a linha horizontal a divisão por faixa etária e sexo. O número no topo das colunas identifica a média encontrada nesses pacientes, O nível foi maior no sexo masculino na faixa etária de 71-80 anos, com um total de 51 indivíduos. No entanto, o maior percentual avaliado foi na faixa de 41 – 50 anos. Vale observar que não houve nenhuma intoxicação acima de 100 μg/g nas faixas abaixo de 40 anos 10.
Apresentação de dois casos ilustrativos
Foram selecionados dois casos significativos de pacientes, apresentando laudos completos de análise, mostrando além de teores de Pb, os demais metais avaliados em um diagnóstico completo.
A Figura 12 se refere a paciente de 65 anos, trabalhador na agricultura, com distrofia muscular dos músculos quadríceps crurais em ambas as pernas e dificuldade de deambular. Biópsias musculares sem alterações histológicas significantes. Exames. Laboratoriais: Aldolase alta e Creatino Quinase (CPK) altas. Já tinha realizado vários tratamentos com neurologista sem respostas. A análise de cabelo que constatou elevado índice de metais pesado, alumínio e chumbo, no cabelo com dosagem desses metais em amostras de sangue e urina normais. Após tratamento com quelantes, houve melhora do quadro clínico10.
A Figura 13 se refere a paciente de 53 anos, trabalhador em indústria de vidraçarias (vitros) e tintas, hipertensão arterial e dores articulares. Exames Laboratoriais: Suspeita de Artrite Reumatóide e no exame do cabelo apresentou alta quantidade de chumbo e cádmio. O paciente estava em tratamento com reumatologista, usando corticóides e anti reumáticos, sem resultados. Após quelação do Pb com EDTA (ácido dietiltetracético) melhora do quadro clinico10.

Figura 12 10 = Resultado da análise do cabelo do paciente masculino de 65 anos trabalhador na agricultura que teve e tem muito contato com agrotóxicos, com 650 μg/g de Pb 10.

Figura 13 = Rsultados das análises do cabelo de oaciente de 53 anos, masculino, trabalhador de Vidraçarias com 43 μg/g de Pb 10.
Discussão
Numa análise de cabelo se pode avaliar vários elementos tóxicos, drogas de abuso, bem como elementos não tóxicos. As análises bioquímicas realizadas pelo cabelo com DRC II-ICP-MS em laboratório com qualidade confiável são um mecanismo importante para diagnóstico de metais tóxicos em geral, como mostra essa amostra de 2288 pacientes da Clinica Dr. José Valdaí de Souza S/C Ltda em Osório e Porto Alegre – RS Brasil10. A avaliação indicou que 58,61% da amostra mostrou contaminação por Pb, sendo interessante observar que o sexo feminino teve menos percentual de contaminação 49% , embora em número maior de amostras 1341 e o sexo masculino com 71% de contaminação em 947 amostras. A maior freqüência de pessoas analisadas esteve na faixa de 41 a 50 anos, tanto em mulheres como em homens, sendo o índice mais alto de Pb entre 71-80 anos. No presente estudo foi priorizada uma análise retrospectiva dos casos de contaminação por Pb embora tenham sido investigados e identificados outros elementos além de alterações em nutrientes essenciais no indivíduo. Entretanto é preciso que o rigor na coleta seja efetivo e os resultados devem ser interpretados sob uma avaliação clínica efetiva e com uma história pregressa do paciente muito bem feita. As amostras analisadas eram de pacientes, alguns sem história de doenças e outros com patologias e vários que já recorreram a inúmeros tratamentos e exames sem sucesso. Portanto se o médico ou outro profissional clínico tiver boa experiência deve recorrer a esse tipo de avaliação.
Também se pode focar a importância de realizar screening em mulheres em período pré gestação, em trabalhadores de área de risco, crianças com déficit de atenção ou hiperativas, doenças infecciosa repetitivas, viroses, hipertensão e câncer, bem como doenças reumáticas, diminuição da memória, neuropatias periféricas e alergias. É importante salientar que toda a patologia tem uma causa e dentre essas as intoxicações ambientais e erros nutricionais são fundamentais.
Convém ressaltar que os metais tóxicos causam lesões em DNA podendo promover alterações cromossômicas ou mutagenese molecular, alterando
seqüências de bases, podendo levar ao desenvolvimento de patologias. Para as intoxicações por metais pesados o tratamento recomendado é a quelação. No entanto, para cada metal temos tipos de quelantes específicos e com reações adversas. Portanto o profissional que trabalha nessa área precisa ter um grande conhecimento em clínica geral, bioquímica, farmacologia e toxicologia 10.
Conclusão
Os metais pesados tóxicos, elementos não essenciais ao organismo vivo, são conhecidos há milênios. Porém sua ação deletéria aos organismos vivos, somente tem sido estudada nos últimos anos com a evolução da era tecnológica que descartam lixo químico no meio ambiente. Com isso muitas doenças crônicas, sem um diagnóstico definido, podem estar relacionadas a essas intoxicações. Pois hoje, sabemos que suas ações são extremamente prejudiciais e que causam lesões no DNA podendo levar a alterações genéticas. Portanto, a análise bioquímica do cabelo usando o método DRC II-ICP-MS é eficiente e de baixo custo para dosar esses metais.
Após análise de 2288 pacientes em um período de 24 anos encontramos um percentual de intoxicados por Pb de 58,61% o que equivale a 1341 indivíduos com correlação clínica que pode concretizar esse mecanismo diagnóstico como seguro e eficaz. Provavelmente se fosse possível realizar provas cruzadas com alterações em proteomas, epigenomas haveria uma ajuda mais efetiva a esses pacientes e muitas patologias poderiam ser evitadas. É preciso que essas técnicas sejam mais divulgadas e mais profissionais utilizem esse recurso de diagnóstico, dando aos seus pacientes uma nova oportunidade de avaliação.
A terapia é feita por quelantes específicos para cada elemento tóxico. Os tratamentos também não são difíceis e de baixo custo porém a maioria dos químicos são importados. Com maior aplicação no Brasil isso poderia se tornar mais acessível, o screening poderia ser realizado com mais confiança e em maior escala. Os exames deveriam ser realizados em trabalhadores, crianças com alterações de atenção, doenças neuronais, infertilidades, câncer, medicina forense, exposição ambiental comprovada ou usuários de substâncias que tenham contato com metais tóxicos. Também seria um método importante para análise de nutrientes determinando má
absorção ou déficit de elementos no alimento. Embora, para nutrientes, exista muita controvérsia quanto a sua verdadeira eficiência e sensibilidade nos resultados. Contudo, já vem sendo empregado como ferramenta de diagnóstico complementar em vários países do mundo.
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